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As principais complicações clínicas da anemia falciforme são tratadas com as
seguintes
medidas profiláticas: antibióticos, suplementação de ácido fólico,
suplementação hormo4nal, nutrientes e vitaminas, analgésicos, oxigenação e hipertransfusão. A hidroxiuréia (HU) é a medicação mais estudada para o
tratamento da doença. É possível a cura de pacientes por meio de transplante de
medula óssea, sendo o doador um irmão.
Os pacientes talassêmicos podem ser tratados através de um regime de
transfusões, terapia quelante intensiva e esplenectomia, na tentativa de reduzir
as necessidades de transfusão.
Hiperplasia adrenal congênita (
)
As glândulas adrenais (que recebem este nome porque se localizam acima de cada
um dos rins) produzem diversos hormônios essenciais para o organismo. Para isso,
elas dependem de enzimas específicas. Quando uma destas enzimas está ausente,
ocorre um desbalanço na produção dos hormônios e um aumento na síntese de há uma
tendência de aumentar a produção dos demais como compensação.
A enzima que mais freqüentemente é deficiente é a 21-hidroxilase. Quando isso
acontece, o cortisol é o hormônio que se torna deficiente e os hormônios
andrógenos (masculinizantes) aumentam seus níveis. Em meninas, isso pode levar
ao aparecimento de caracteres sexuais masculinos (pêlos, aumento do clitóris) e,
em ambos os sexos, podendo levar ou não a uma perda acentuada de sal e ao óbito.
O tratamento com corticóides pode reverter estes quadros, quando instituído
precocemente. No caso da perda de sal, o tratamento requer a administração de
hormônios mineralocorticóides com a máxima urgência.
A suplementação de cortisona provoca a diminuição da síntese de hormônios
androgênicos, relacionados à virilização. Medidas cirúrgicas auxiliam a recompor
o aspecto anatômico da genitália nas meninas afetadas. Na forma perdedora de
sal, a administração de mineralocorticóides deve ser continuamente monitorizada.
O tratamento deve ser feito por toda a vida.
Fibrose cística (FC) (
)
É uma doença genética, também conhecida como mucoviscidose, que causa mau
funcionamento do transporte de cloro e sódio nas membranas celulares. Esta
alteração faz com que se produza um muco espesso nos brônquios e nos pulmões,
facilitando infecções de repetição e causando problemas respiratórios e
digestivos, entre outros. Outra manifestação é o bloqueio dos ductos
pancreáticos, causando problemas no sistema digestivo. Apesar de ainda não ter
cura, diversas medidas terapêuticas têm melhorado a qualidade de vida e a
sobrevida dos pacientes afetados:
• Fisioterapia: batimentos suaves e rápidos nas costas da criança, auxiliando a
eliminar secreções;
• Dieta: baseia-se na reposição oral de enzimas pancreáticas, de acordo com as
necessidades da faixa etária, para o crescimento e desenvolvimento normais.
• Administração de antibióticos, mucolíticos e expectorantes.
• Administração periódica de antibióticos, prevenindo infecções.
• Substituição do gene afetado por sua seqüência normal (ainda em fase
experimental).
Galactosemia (
)
A galactosemia ocorre quando a criança não pode digerir o açúcar chamado
galactose, proveniente da lactose do leite materno. Esta condição pode levar à
catarata, danos no fígado, retardamento mental e à morte prematura. É uma doença
hereditária rara, com ação devastadora caso não seja diagnosticada rapidamente.
O único tratamento é a eliminação da galactose da dieta. O leite deve ser
substituído por uma fórmula especial de aleitamento nos primeiros dias de vida,
o que ajuda a prevenir os problemas. Em substituição pode-se usar produtos à
base de soja. Para crianças maiores, a dieta pode ser mais variada, evitando-se
alimentos que contenham galactose.
Deficiência de Biotinidase (
)
É uma doença genética que consiste na deficiência da enzima biotinidase,
responsável pela absorção e regeneração orgânica da biotina, uma vitamina
existente nos alimentos que compõem a dieta normal. Esta vitamina é
indispensável para a atividade de diversas enzimas. O quadro mais severo é
marcado por convulsões, retardo mental e lesões de pele. Seu diagnóstico é
difícil a partir dos sinais clínicos, que são poucos característicos. O
tratamento é simples, e consiste na administração, por via oral, de uma dose
diária suplementar de biotina, a qual permite o funcionamento normal das
diversas enzimas que dela dependem.
Deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase
(G6PD) ( )
A G6PD é uma enzima presente em todas as células, e tem como finalidade auxiliar
na produção substâncias que as protegem de fatores oxidantes. Ao contrário das
outras células, os glóbulos vermelhos dependem exclusivamente da G6PD para esta
finalidade. A deficiência de G6PD é uma doença genética associada ao cromossomo
X e, ao contrário do que se esperaria, afeta igualmente indivíduos dos dois
sexos. A maior incidência ocorre em pessoas com ancestrais provenientes do
Mediterrâneo, como Itália e Oriente Médio, da África Equatorial e de algumas
regiões do Sudeste Asiático.
É reconhecida como a mais freqüente das enzimopatias em algumas populações. Sua
incidência no Brasil ainda não está estabelecida, mas estima-se que pode atingir
até 7% da população. A doença não tem tratamento, mas seus sintomas podem ser
evitados com medidas profiláticas que impeçam o uso de algumas drogas indutoras
de hemólise e da ingestão do feijão de fava.
Os sintomas mais freqüentes são icterícia neonatal e anemia hemolítica aguda. Em
alguns casos a icterícia neonatal pode levar ao óbito ou a permanente dano
neurológico. A anemia hemolítica pode ser induzida por um grande número de
drogas, infecções ou pela ingestão de feijão de fava (Vicia faba), esta última
já observada por Pitágoras, na Grécia antiga.
Crianças com icterícia neonatal prolongada devem ser submetidas à fototerapia.
Quando houver anemia, os pacientes podem necessitar de tratamento com oxigênio
ou, em casos mais severos, transfusão sangüínea.
Toxoplasmose congênita (
)
É causada por um parasita intracelular, o protozoário Toxoplasma gondii. Pode
ser congênita ou adquirida. Em adultos é assintomática em 90% dos casos. No
entanto, quando a mulher adquire a infecção durante a gestação, a doença pode
ser transmitida ao feto. Infecções maternas primárias ocorridas no primeiro
trimestre de gestação normalmente induzem ao aborto. A severidade da
contaminação fetal é maior quando a infecção materna é adquirida no segundo
trimestre, podendo provocar mal-formações congênitas.. Quando a infecção pelo
protozoário ocorre no terceiro trimestre gestação, o feto pode ser contaminado,
apresentando graus variados de manifestações clínicas que incluem,
principalmente, problemas neurológicos (retardo mental e motor) e visuais (lesão
da retina à cegueira). A doença costuma ser assintomática ao nascimento, podendo
apresentar sintomas clínicos após alguns meses.
O tratamento é feito com medicações como a pirimetamina, a sulfadiazina e o
ácido folínico.
Sífilis congênita (
)
A sífilis congênita é uma infecção causada pela disseminação hematológica do
Treponema pallidum da gestante para o feto via transplacentária, ou durante o
parto através de contato com lesões vaginais. A transmissão materna pode ocorrer
em qualquer fase gestacional. A transmissão vertical da sífilis em mulheres não
tratadas é de 70% a 100% durante os primeiros 4 anos em que a doença é
adquirida, e ocorre morte perinatal em 40% das crianças infectadas.
A contaminação do feto está na dependência do estágio da doença na gestante:
quanto mais recente a infecção materna, mais treponemas estarão circulantes e,
portanto, mais severo será o comprometimento fetal. O tratamento é feito com
penicilina. As pessoas alérgicas podem ser dessensibilizadas, ou então, tratadas
com eritromicina. As tetraciclinas e o estolato de eritromicina não devem ser
empregados na gestação.
Citomegalovirose congênita (
)
Doença associada à infecção do feto pelo citomegalovírus (CMV). Cerca de 10 a
20% das crianças infectadas são sintomáticas ao nascimento. Entre as
manifestações clínicas destacam-se retinocoroidite, microcefalia, calcificações
cerebrais, hepatoesplenomegalia e hidrocefalia. Uma parcela dos casos
inicialmente assintomáticos poderá apresentar mais tarde problemas como
deficiência visual, perda auditiva e retardo mental.
O CMV é considerado a causa mais comum de infecção congênita no homem, porque
tem a capacidade de infectar o feto mesmo quando a mãe já possui anticorpos, ao
contrário do que ocorre com a rubéola e a toxoplasmose. Estima-se que o vírus
afete 1% dos nascidos vivos.
Não há tratamento específico, mas algumas drogas, como o ganciclovir, têm sido
usadas com êxito para a diminuição das seqüelas.
Doença de Chagas congênita (
)
Doença provocada pelo protozoário Trypanosoma cruzi. O parasita tende a se
alojar em tecidos musculares e impedir que estes funcionem adequadamente. É
comum comprometerem a função do músculo cardíaco e da musculatura do esôfago. Os
recém-nascidos com infecção chagásica congênita podem apresentar sinais clínicos
desde o nascimento, ou podem passar assintomáticos por vários anos. Embora
assintomática, a criança infectada pelo Trypanosoma cruzi pode apresentar
alterações muito discretas ao exame clínico e não valorizadas como sinal de
infecção.
O tratamento é realizado com nifurtimox e benzonidazol. Os resultados dependem
da idade em que se inicia. Quando começa antes dos seis meses, os exames
sorológicos e parasitológicos tornam-se negativos.
Rubéola congênita (
)
Infecção viral aguda, normalmente benigna, a rubéola se caracteriza por três
dias de pele avermelhada, aumento dos gânglios (que podem estar dolorosos) e
leves sinais que aparecem antes da disseminação do vírus pelo corpo todo.
Quando é adquirida durante a gestação, pode resultar em morte fetal, parto
prematuro e graves malformações fetais.
Não existe tratamento específico para a rubéola. Mas é importante o diagnóstico
precoce das deficiências auditivas e a intervenção através de medidas de
reabilitação nos casos da Síndrome da Rubéola Congênita.
SIDA congênita
(
)
A síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA) é causada pela infecção pelos
vírus HIV-1 ou HIV-2, adquirida por via sexual, transfusão com sangue infectado,
uso de drogas com seringas ou agulhas contaminadas. Pode também ser transmitida
ao feto pela gestante infectada ou através da amamentação. O vírus atinge o
sistema imunológico do paciente, particularmente os linfócitos T, tornando-os
mais suscetíveis a infecções.
Estima-se que 0,5 a 2,0% dos recém-nascidos no Brasil são portadores do vírus. O
prognóstico dos indivíduos infectados pelo HIV é variável.
Deficiência de MCAD (
)
A deficiência da desidrogenase das acil-CoA dos ácidos graxos de cadeia média (MCAD)
é um erro inato do metabolismo que interfere na utilização dos ácidos graxos
como fonte de energia para o organismo. É uma doença genética potencialmente
fatal que pode provocar o quadro da Síndrome da Morte Súbita na Infância. A
primeira crise metabólica ocorre em geral entre o quarto e o décimo quinto mês
de vida, sendo letal em 40% das crianças que manifestam os sintomas antes dos 2
anos de vida.
A deficiência da MCAD também pode ser detectada diretamente pela pesquisa da
mutação G985A, pela análise molecular por PCR em gotas de sangue colhidas em
papel filtro, método capaz de detectar mais de 85% dos casos positivos.
O tratamento é simples e de baixo custo. Durante episódios agudos de jejum ou
vômito, a infusão intravenosa de glicose e a suplementação de L-carnitina levam
a uma rápida recuperação.
Espectrometria de massa (
)
É uma metodologia recente, ainda não difundida amplamente no Brasil, capaz de
detectar várias aminoacidopatias, acidemias orgânicas e defeitos na
beta-oxidação dos ácidos graxos.
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